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Centro-Sul pode produzir mais etanol, mesmo com moagem menor de cana

Agropecuária | Publicada em 30/08/2021

A moagem de cana do centro-sul do Brasil em 2021/22 foi estimada em 533 milhões de toneladas, com um corte de 7,5% na comparação com a projeção de maio por conta do impacto da seca e das geadas, previu a consultoria JOB Economia, que por outro lado subiu levemente a estimativa de produção de etanol em meio a preços elevados no mercado interno. A previsão de fabricação de etanol de cana na principal região produtora do país ficou agora em 25,10 bilhões de litros em 2021/22, aumento de 2,45% ante a projeção anterior, enquanto a produção de açúcar foi estimada em 33,4 milhões de toneladas em 2021/22, versus 37,2 milhões anteriormente (-10,2%), em meio à quebra de safra. "Foi uma reversão de expectativa. As indústrias estão fazendo mais etanol do que o previsto", disse o sócio-diretor da consultoria, Julio Maria Borges, em entrevista à Reuters. Ele comentou ainda que o mercado de gasolina, em um cenário de menor oferta de matéria-prima de etanol, acaba puxando a fabricação do álcool anidro (utilizado na mistura com o combustível fóssil). "A restrição da oferta cai toda no hidratado, como vende mais gasolina, puxa a produção de anidro." Na comparação com a temporada passada, no entanto, a produção de etanol de cana do centro-sul cairá quase 10%, diante de uma redução da moagem de cana esperada em 12% e com a produção de açúcar recuando 13%, segundo números da JOB. Com a menor oferta, os preços do etanol no Estado de São Paulo, maior produtor e consumidor do país, estão nos maiores patamares desde março de 2016, já considerando valores deflacionados, conforme levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O etanol anidro, misturado na proporção de 27% na gasolina, foi comercializado a R$ 3,7583 por litro na última semana, nas usinas paulistas, com um alta de 84% ante o mesmo período do ano passado. Já o hidratado, usado diretamente pelos veículos, subiu mais de 75% na comparação anual, na esteira de ganhos da gasolina e da recuperação do petróleo no mercado internacional. TIRANDO PROVEITO Segundo Borges, no caso do etanol, cuja produção é em grande parte vendida no mercado interno, as usinas conseguem aproveitar mais, já nesta safra, os ganhos dos preços em comparação com o açúcar de exportação --com cotações previamente fixadas. "Trinta por cento do açúcar é comercializado no mercado interno e praticamente todo o álcool é mercado interno, isso foi beneficiado com aumento dos preços já neste ano", comentou o analista. Ele estima que a receita por tonelada de cana vai aumentar entre 60% a 70% em relação ao ano passado, por conta da disparada dos preços. "O pessoal fala muito de aumento de custo, claro que está aumentando, mas não chega neste nível de 60% de jeito nenhum", afirmou Borges, ressaltando a possibilidade de boas margens. Ele comentou que, no caso do açúcar de exportação, o setor não conseguiu aproveitar os ganhos nos mercados futuros para a safra atual, porque a maior parte já estava fixada. Somente neste ano o primeiro contrato futuro do açúcar bruto negociado em Nova York subiu cerca de 27%. Mas as usinas estão aproveitando para fixar vendas das safras de 2022 e 2023, uma vez que os preços "foram muito acima do esperado". "Minha expectativa é que para a safra 2022/23 cerca de 50% a 60% já foi fixado, é um recorde total, as usinas estão fazendo uma gestão de risco muito competente." "Por que não fixaram mais? Porque com essa quebra de safra estão com dúvida sobre o tamanho da safra 22, mas aproveitaram sim de maneira inusitada, fixando safras futuras", disse o consultor. Para Borges, o ano de 2021 foi surpreendente em todos os aspectos, "a quebra foi muito maior que a inicialmente prevista, e o aumento de preços foi muito maior do que o inicialmente previsto: surpresa dos dois lados". O cenário para a safra que vem não é muito auspicioso porque a seca afetou a cana que foi plantada, concordou ele. Com uma menor oferta de açúcar neste ano, a JOB reduziu a previsão de exportações do Brasil em 2021/22 para 27,10 milhões de toneladas, ante 29,9 milhões na previsão anterior, versus 32 milhões no ciclo passado. No caso do etanol, os embarques para o exterior foram estimados em 2,2 bilhões de litros, estáveis ante previsão de maio, ante 2,9 bilhões em 2020/21. Fonte: Reuters

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